Família de paciente morto pela Covid 19 questiona resultados do exame e procedimentos

Jornal Opinião

A Covid 19 tem ceifado vidas dia a dia, portanto inspira muitos cuidados especialmente com o uso de máscaras, distanciamento social e uso de álcool gel, mas também tem gerado dúvidas na população, especialmente quanto ao resultado dos exames realizados. Os questionamentos ocorrem, pois, vários exames realizados através do Lacen tem dado resultado diferente daqueles realizados nos laboratórios particulares. O Pastor Adão Rodrigues da Rosa veio a óbito no dia 03 de julho, tendo como causa mortis a Covid 19, no entanto os familiares contestam a versão do hospital pois realizaram um exame no laboratório Bom Pastor em Sapiranga que teve resultado negativo, muito embora o hospital coletou material e encaminhou para o LACEN, cujo resultado deu positivo.

Entenda o caso, segundo os familiares:

Adão Rodrigues da Rosa

No dia 19 de junho o Pastor Adão Rodrigues da Rosa, 63 anos, foi até a UPA com dor de estômago e posteriormente baixou no hospital de Sapiranga. Lá foi realizado uma tomografia computadorizada e pelo aspecto suspeitou-se de que poderia ser Covid 19 e ficou na triagem de sexta-feira (19/06) até o dia (21/06), domingo. No dia 20 de junho o hospital de Sapiranga realizou a coleta de material e encaminhou através do LACEN – Laboratório Central de Saúde Pública do Estado do Rio Grande do Sul, para realização do exame PCR cujo resultado deu positivo para Covid 19 (Detectável), no entanto este resultado chegou no dia 25 de junho. Também no sábado (20/06) o filho Valdair Rodrigues da Roza e o genro Roberto Fanfa falaram com Adão que estava sentado na cama da emergência e pediu a dentadura para se alimentar. No domingo (21/06) a família não estava conseguindo obter informações sobre o estado de saúde de Adão e no final do dia mais de vinte familiares aguardavam na frente do hospital para saber informações. “No domingo de manhã o meu sobrinho Rian da Roza esteve no hospital e a tarde o sobrinho Rodrigo da Roza e não obtiveram nenhuma informação. Disseram que a informação seria dada somente na segunda-feira (22) e qualquer alteração do quadro seria informado”, disse a filha Roseleia. “No domingo as 17h eu liguei para o hospital e fui informada de que não davam notícias sobre pacientes da emergência. Aí quando falei o nome do paciente, a atendente me disse que o vô não estava mais na emergência e sim na UTI”, disse a neta Viviane Bueno. No domingo as 17h30 os familiares foram até o hospital e alegam que ninguém assinou a autorização para encaminhar o paciente para a UTI. “As recepcionistas disseram que o neto Rodrigo da Roza tinha autorizado o procedimento. Neste momento o Rodrigo chegou no hospital e disse que não assinou nada. Mentiu que tinham ligado, mas não recebemos nenhuma ligação do hospital”, diz a filha Roseleia Rodrigues da Roza. Ato contínuo os familiares alegam que exigiram informações sobre a situação de Adão. “Uma enfermeira me recebeu e disse que o pai teve uma crise de tosse e foi colocado na UTI para ter um cuidado maior, mas estava bem”, afirma a filha Roseleia. Como o pai estava bem os familiares foram embora e retornaram na segunda-feira (22/06). “Quando a irmã do pai, Celonira da Roza e a neta Viviane Bueno foram visitar se surpreenderam com ele entubado”, disse Roseleia. Segundo os familiares foram então informados de que havia sido realizado o teste rápido e uma tomografia e que os sintomas eram de Covid 19. “Minha irmã Rosenilda solicitou a autorização para fazer um exame PCR particular para Covid 19, pois a gente não conseguia acreditar no que estava acontecendo. O exame foi realizado na terça-feira (23/06) pelo laboratório Bom Pastor de Sapiranga que fez a coleta no hospital. “O mais estranho é que todos nós tivemos contato muito próximo com o pai e o meu irmão Valdoir da Roza fez o exame no Laboratório Pagel no dia 01 de julho e testou negativo para Covid 19”, disse Roseleia.

Resultado controverso:
O exame realizado pelo Hospital deu positivo
e o do laboratório particular deu negativo

Exame realizado pelo Hospital Sapiranga
Exame realizado no Laboratório Bom Pastor pelo paciente

No dia 25 de junho chegaram os resultados dos dois exames: o exame para Covid 19 coletado dia 20 de junho e realizado pelo LACEN na UFSPA em Porto Alegre com resultado positivo e, o exame realizado pelo laboratório Bom Pastor de Sapiranga, coletado no hospital pelo laboratório no dia 23 de junho, cujo resultado deu negativo.

A filha Rosenilda Vieiras da Roza alega que o médico Dr Paulo Caponi disse que o exame havia dado negativo para Covid 19, no dia 25 de junho. “O Dr Paulo me informou que o pai teve o exame negativo e estava com infecção bacteriana no pulmão direito, já tratada e estava tudo certo e que já haviam retirado o sedativo e ele iria acordar em poucas horas. Os rins estavam certos e não tinha mais febre” afirmou a filha Rosenilda. No dia 25 de junho as 11h18 a filha Rosenilda de posse das informações do médico encaminhou o seguinte áudio para os familiares em prantos: “Família aqui é a neguinha (Rosenilda) eu tenho uma notícia muito boa pra dar pra vocês, o exame do pai deu negativo, ele vai sair dessa”. “No dia 25 esperei no hospital até o pai acordar, mas ele não acordou”, informou a filha Rosenilda.
Segundo os familiares na sexta-feira 26 de junho estavam apenas aguardando sair o efeito do sedativo para desentubá-lo. “No sábado (27) e no domingo (28) a situação dele piorou. Tentamos então, transferir o meu avô Adão para outro hospital, inclusive fui até o Ministério Público na segunda-feira (29) e eles me informaram de que precisariam de um laudo do hospital e judicialmente a gente conseguiria a vaga. Voltei com a Rosimara, a Queila e a Roseleia ao hospital para falar com o diretor. Fomos informadas de que o diretor estava afastado por problemas de saúde, pela funcionária Jordana Pereira Dresch que disse que nos daria o laudo, mas lá constaria somente: Paciente com Covid 19 e que ele ficaria isolado também. Além disso, informou que eles tinham na UTI todo o suporte necessário ”, disse a neta Viviane Bueno.
“Na quarta-feira (01/07), fomos ao hospital e pressionamos para tentar entender o que estava acontecendo, pois, o vô estava bem só esperando passar o efeito do sedativo e de repente piorou tanto”, disse a neta Viviane Bueno. “No dia 02/07 fizemos uma reunião com o Dr Eduardo Melnick e com a assistente social Andréia. O Dr Eduardo nos disse que independente do resultado do exame que fizemos ele seria tratado pra Covid 19. Disseram num jornal que meu pai era ex-fumante e cardiopata, eu tenho 37 anos e nunca vi meu pai fumar, ainda mais que ele era fundador e Pastor da Igreja Pentecostal Avivamento do Espírito Santo. Na segunda-feira dia 15 de junho meu pai ainda veio de bicicleta até o centro pagar uma conta pra mim”, concluiu a filha Roseleia. No dia 03 de julho as 5h Adão Rodrigues da Roza não resistiu e veio a óbito.

Questionado sobre o caso o Hospital de Sapiranga enviou a seguinte nota na terça-feira dia 7 de julho:

Segue o retorno sobre o questionamento do paciente Adão Rodrigues:

“O paciente mencionado internou na Instituição com quadro compatível a COVID-19, realizamos um exame de tomografia de tórax o qual mostrou lesões típicas da infecção. O exame de PCR foi realizado pelo LACEN – Laboratório Central de Saúde Pública do Estado do Rio Grande do Sul, que confirmou o diagnóstico”.

Todos os lados da notícia:

Na busca para aclarar a verdade dos fatos e com o objetivo de cumprir com a ética que sempre pautou o trabalho jornalístico do Jornal A Opinião, cujo lema é: “COMPOROMISSO COM A VERDADE”, buscamos dar voz aos profissionais médicos que trataram do paciente Adão Rodrigues da Rosa no Hospital de Sapiranga. A direção do hospital se manifestou através da nota acima. Além disso, encaminhamos a Assessoria de Comunicação e a direção do Hospital de Sapiranga perguntas pertinentes ao assunto em voga que é a Covid 19. No entanto, continuamos à disposição para publicar quaisquer esclarecimentos pertinentes a este ou a outros casos de interesse da comunidade sapiranguense, sempre no intuito de bem informar com isenção ouvindo todos os lados da notícia.

Acompanhe as perguntas do Jornal A Opinião e as respostas do Hospital de Sapiranga:
Opinião: Qual o protocolo que o hospital de Sapiranga segue para casos de COVID 19 e em que consiste?
Hospital de Sapiranga: Todos os protocolos que o Hospital segue são protocolos validados pela Organização Mundial da Saúde e Ministério da Saúde.

Opinião: Nos casos em que for necessária a entubação do paciente para tratamento da COVID 19, qual o procedimento? Necessário se faz alguma autorização da família?
Hospital de Sapiranga: Todo procedimento invasivo é realizado com consentimento da família, salvo em casos de emergência, onde primeiramente faz-se o procedimento, visando a estabilização do paciente e posteriormente comunica-se a família.

Opinião: Pode um exame testar positivo para COVID 19 e em outro coletado dois dias posteriores testar negativo, no mesmo tipo de exame?
Hospital de Sapiranga: O Hospital Sapiranga descreve a diferença entre os testes e qual seria mais adequado para cada situação, qual a precisão e quais os significados dos termos técnicos utilizados.

Opinião: Quais os tipos de testes existentes?
Hospital de Sapiranga: RT-PCR, Sorologia (IgM e IgG) e teste rápido.

Opinião: O que são testes RT- PCR?
Hospital de Sapiranga: RT-PCR é considerado o teste padrão-ouro no diagnóstico da doença ativa pelo COVID-19, cuja confirmação é obtida através da detecção do RNA (da molécula) do vírus na amostra analisada, preferencialmente obtida em raspagem de nasofaringe (nariz e garganta).
A coleta para este exame deve ser realizada preferencialmente a partir do terceiro dia após o início dos sintomas e até o décimo dia, pois ao final desse período, a quantidade de RNA tende a diminuir. Ou seja, o teste RT-PCR identifica o vírus no período em que está ativo no organismo, tornando possível aplicar a conduta médica apropriada.

Opinião: O que são testes de Sorologia (IgG e IgM):
Hospital de Sapiranga: O teste de sorologia, diferentemente da RT-PCR, verifica a resposta imunológica do corpo em relação ao vírus. Isso é feito a partir da detecção de anticorpos IgG e IgM em pessoas que foram expostas ao vírus. Nesse caso, o exame é realizado a partir da amostra de sangue do paciente, processado por um laboratório de análises clínicas. Para que o teste seja mais seguro, é recomendado que seja realizado, pelo menos, 10 dias após o início dos sintomas. Isso se deve ao fato de que a produção de anticorpos no organismo só ocorre depois de um período mínimo após a exposição ao vírus. Realizar o teste de sorologia fora do período indicado pode resultar num resultado falso negativo. Em caso de resultado negativo, uma nova coleta pode ser necessária, a critério médico. Vale ressaltar também, que nem todas as pessoas desenvolvem anticorpos detectáveis pelas metodologias disponíveis. Desse modo, podem haver resultados negativos na sorologia mesmo em pessoas que tiveram Covid-19 confirmada por PCR. Testes de IgG e IgM podem auxiliar o mapeamento da população “imunizada” (que já teve o vírus ou foi exposta a ele).

Opinião: O que são testes rápidos?
Hospital de Sapiranga: São aqueles parecidos com o teste de glicose onde utiliza-se uma gota de sangue retirada do dedo. A maioria dos testes rápidos existentes possuem sensibilidade e especificidade muito reduzidas em comparação as outras metodologias. Por isso, seu resultado deve ser avaliado pela equipe de profissionais da saúde no contexto de cada caso. Ressaltamos que estamos lidando com uma doença nova e que as interpretações dos resultados dos testes devem ser feitas pelos profissionais de saúde no contexto de cada caso. Cada exame tem a sua finalidade e as suas limitações. O Hospital Sapiranga segue todos os protocolos de segurança preconizados pelo Ministério da Saúde.

Opinião: Quantos casos de COVID 19 foram tratados no hospital? Destes quantos óbitos e quantos se recuperaram após internação na UTI?
Hospital de Sapiranga: Até o momento (09/07) temos 79 casos confirmados. Destes 9 óbitos (5 de Sapiranga e 4 de outros municípios).

Opinião: Qual o percentual da ocupação de leitos da UTI ocupados por pacientes da COVID 19 no dia de hoje 09/07?
Hospital de Sapiranga: 100%

Opinião: O Hospital tem leitos de UTI disponível para tratamento de outras doenças? Quantos?
Hospital de Sapiranga: Sim, 7 leitos de UTI Adulto.

Opinião: Qual foi a média de ocupação em percentuais mês a mês dos leitos de UTI por pacientes da COVID 19?
Hospital de Sapiranga: A UTI COVID está em funcionamento desde o início de junho e a taxa de ocupação do período é de 90%.

Opinião: A Prefeitura de Sapiranga adquiriu algum dos leitos de UTI daqueles destinados para atendimento da COVID 19?
Hospital de Sapiranga: Estamos em tratativas no momento. Serão 03 leitos com cobertura de custos pela Prefeitura de Sapiranga.

Opinião: Qual a orientação e sintomas que devem ser observados para que o paciente seja internado?
Hospital de Sapiranga: Isso depende de cada caso e/ou paciente. Recomenda-se buscar um atendimento médico, para orientação.

Opinião: Quais os casos em que o paciente pode permanecer em casa em isolamento?
Hospital de Sapiranga: Pessoas com sintomas leves, ou conforme orientação médica.

Opinião: O Hospital de Sapiranga é referência para a região para tratamento da COVID 19?
Hospital de Sapiranga: Sim

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