Desenvolver rotinas como forma de aprender é objetivo da SMED em tempos de ensino remoto

Jornal Opinião

O ensino remoto trouxe desafios para professores, alunos e famílias. Todos readaptaram seus cotidianos e incluíram rotinas diferentes de estudo para as crianças. A Secretaria Municipal de Educação (SMED) de Sapiranga entende que essas mudanças podem causar conflitos entre as famílias, mas também que com atenção, cuidado e carinho, todas as dificuldades são superadas e, consequentemente, a criança é quem aprende e se desenvolve.

E foi com o objetivo de, respeitando a individualidade de cada criança, que a equipe pedagógica adaptou o novo componente curricular (nova nomenclatura para disciplina) de Linguagem e Lógica para ensinar as crianças a aprenderem, observando suas rotinas e entendendo suas necessidades.

Funções executivas desenvolve habilidades cognitivas

Supervisora pedagógicaPaula Molling

Dentro deste novo componente curricular, que faz parte do currículo das turmas de 1º ao 5º ano, há áreas específicas e, uma delas, as Funções Executivas, que são habilidades cognitivas que precisam ser trabalhadas nas crianças porque são a base do conhecimento formal, como a fixação de rotinas. “Nas aulas remotas, esse novo componente faz parte do planejamento. Estamos trabalhando as rotinas justamente para ajudar os pais que estão em casa tendo que dar conta dessa demanda da escola”, pontua a supervisora pedagógica, Paula Molling.

Rotina é importante no desenvolvimento da criança

“Por que estamos trabalhando na rotina? Para adaptar o que queríamos trabalhar, mas de uma forma que ajude as famílias. Por isso também que fizemos os e-books, para dar um norte aos pais. A rotina é uma coisa importante, ajuda a criança, ajuda a família e desenvolve as funções executivas, um conjunto de aptidões que ajudam a controlar e regular o comportamento diante de fatos novos. Então, na hora de aprender a matéria, a criança vai usar toda as habilidades para poder planejar o que precisa ser feito. Para estudar, é preciso aprender a estudar”, explica a supervisora.

Capacitação dos professores e organização das escolas

Em torno de 60 professores passaram por capacitação sobre esse novo componente curricular e o ensino das rotinas para atender as 186 turmas e seus 4.069 alunos. Como primeiro passo da organização do trabalho, a SMED solicitou às escolas que fizessem um planejamento semanal de atividades para enviar aos pais de uma só vez. “Então, de uma forma unificada e organizada, mandamos uma espécie de calendário. Todos os dias planejados de uma única forma. E o professor de funções executivas é o responsável por organizar as crianças”, explica Paula. O objetivo é fazer a criança escolher um horário e um lugar para estudar, e repetir isso todos os dias, passando a incluir, automaticamente, um momento de estudo na rotina.

Cada escola tem professores que atendem todas as turmas e que permanecem em contato com os professores titulares e com as famílias, dando suporte para que os pais organizem a rotina das crianças.

Quadro de rotinas para organizar os momentos

A segunda fase foi estabelecer o quadro de rotinas com as crianças. “Os professores construíram quadros com eles. Perguntaram: O que você fez no dia? Ah, eu tomo banho, almoço, durmo. Então organizamos esse dia, entre o que acontece de manhã, de tarde e de noite. Aí eles montaram esses quadros, com fotos, desenhos, horários, construindo e organizando o seu dia”, explica Paula.

E a terceira e atual fase, em que os professores já foram capacitados, desenvolveram um novo olhar sobre o componente curricular e estão bem preparados para auxiliar famílias e alunos no processo de aprendizagem e estabelecimento de rotinas, com planos específicos para cada escola.

Menos dificuldades de aprendizagem no futuro

“Para escrever um texto, por exemplo, a criança precisa organizar suas ideias. Então, estamos trabalhando essa habilidade por meio da rotina, organizar a vida, organizar os momentos e ter previsibilidade do que vai acontecer. Assim, trabalhamos a base que a criança vai precisar mais pra frente”, evidencia a supervisora.

Deste modo, o objetivo é trabalhar no desenvolvimento de habilidades cognitivas, que serão necessárias para que a criança também aprenda dentro da escola, quando as aulas presenciais forem retomadas, assim como socio-emocionais, que é a responsabilidade e a autonomia. “Todo esse trabalho é um processo que acontece dentro das famílias. Não é uma atividade de preencher e responder. Esse trabalho nas escolas é uma base preventiva que vai também evitar dificuldades de aprendizagem. Então, com todo esse movimento, a longo prazo, podemos diminuir a demanda por atendimento clínico”, enfatiza Paula.

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